8S: quando o 5S nao e suficiente
O 5S transformou o chao de fabrica japones. O 8S vai alem: incorpora cultura, treinamento e eliminacao de desperdicio para criar uma organizacao de alto desempenho sustentavel.
Do 5S ao 8S: A Evolucao
O 5S nasceu no Japao pos-guerra como metodologia de organizacao do ambiente de trabalho. Durante decadas, empresas observaram que o 5S sozinho nao era suficiente para sustentar melhorias — os problemas voltavam porque a cultura nao havia mudado.
O 8S surgiu como resposta: mantem os 5 sensos originais e adiciona tres dimensoes que tocam nas pessoas, no conhecimento e na filosofia Lean.
flowchart TD
S1["1S SEIRI
Utilizacao — separar o util do inutil"]
S2["2S SEITON
Ordenacao — lugar certo para cada coisa"]
S3["3S SEISO
Limpeza — limpar e inspecionar"]
S4["4S SEIKETSU
Padronizacao — manter o que foi conquistado"]
S5["5S SHITSUKE
Disciplina — criar o habito"]
S6["6S SHIKARI YARO
Determinacao e Uniao da equipe"]
S7["7S SHIDO
Treinamento continuo"]
S8["8S SETSUYAKU
Eliminacao de Desperdicio Lean"]
S1 --> S2 --> S3 --> S4 --> S5 --> S6 --> S7 --> S8
Os 8 Sensos — evolucao do 5S para cultura organizacional completa
Os 5S Originais (Base)
Os 5 Sensos Japoneses
- 1S SEIRI (Utilizacao): eliminar o que nao e necessario. Regra: se nao foi usado em 3 meses, questione sua presenca
- 2S SEITON (Ordenacao): um lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugar. Etiquetagem visual obrigatoria
- 3S SEISO (Limpeza): limpar E inspecionar — a limpeza revela anomalias e vazamentos antes que causem falhas
- 4S SEIKETSU (Padronizacao): criar padroes visuais que mantenham os 3 primeiros S sem esforco extra
- 5S SHITSUKE (Disciplina): transformar o 5S em habito cultural — auditoria mensal obrigatoria
Os 3 Sensos Adicionais do 8S
6S — Shikari Yaro: Determinacao e Uniao
O sexto senso aborda a coesao de equipe e comprometimento da lideranca. Sem o engajamento genuino dos gestores, o 5S se torna apenas um programa de faxina periodica. O Shikari Yaro exige que a lideranca seja o primeiro exemplo.
Praticas do 6S: reunioes diarias de 5 minutos (daily meeting), reconhecimento publico de conquistas, metas de time (nao individuais), rituais de abertura de turno.
7S — Shido: Treinamento
O setimo senso reconhece que pessoas sem conhecimento nao podem manter padroes que nao entendem. O Shido institutionaliza o treinamento continuo como parte do trabalho, nao como excecao.
Praticas do 7S — Treinamento Continuo
- Matriz de competencias por funcao atualizada trimestralmente
- On-the-job training (OJT) documentado para cada posto de trabalho
- Licoes de um ponto (LUP) — documentos de 1 pagina para desvios recorrentes
- Programas de mentoria e job rotation para disseminacao de conhecimento
8S — Setsuyaku: Eliminacao de Desperdicio
O oitavo senso conecta o 5S ao Pensamento Lean, incorporando a identificacao e eliminacao sistematica dos 7 desperdicios (TIMWOOD): Transporte, Inventario, Movimento, Espera, Superprocessamento, Superprodução e Defeitos.
O Setsuyaku eleva o 5S de programa de housekeeping para ferramenta de melhoria continua com impacto direto em custo e produtividade.
Implementando o 8S Passo a Passo
Fase 1 (Meses 1-3): Lancamento do 5S em setor-piloto com treinamento, dia do descarte e auditoria inicial.
Fase 2 (Meses 3-6): Padronizacao visual, auditoria mensal e expansao para outros setores.
Fase 3 (Meses 6-12): Introducao do 6S — reunioes diarias, rituais de time, reconhecimento.
Fase 4 (Meses 12-18): 7S — matriz de competencias, LUPs, treinamentos formais.
Fase 5 (Meses 18-24): 8S — mapeamento de fluxo de valor, identificacao de desperdicios, kaizens estruturados.
O 5S nao e limpeza. E um sistema de gestao visual que revela problemas, reduz desperdicios e cria as condicoes para a excelencia operacional.— Masaaki Imai — Kaizen
Perguntas Frequentes
Aplicação prática no sistema de gestão
Ao trabalhar com Os 8S: Como o Programa Evoluiu Alem do 5S Tradicional, a empresa deve transformar o tema em ações observáveis. Isso significa registrar o processo, definir responsáveis, acompanhar evidências e revisar periodicamente se o resultado esperado foi alcançado. A qualidade se fortalece quando cada pessoa entende seu papel e quando as decisões são tomadas com base em dados confiáveis.
Na prática, o primeiro passo é escolher um processo prioritário e mapear o que acontece hoje. Em seguida, identifique riscos, falhas recorrentes, pontos de retrabalho e oportunidades de padronização. Com essas informações, fica mais fácil montar um plano de ação realista, que não dependa de esforço isolado e possa ser repetido pela equipe.
Checklist rápido de melhoria
- Definir o objetivo e o indicador principal do processo.
- Registrar o cenário atual antes de propor mudanças.
- Envolver as pessoas que executam a atividade todos os dias.
- Padronizar documentos, critérios e formas de medição.
- Acompanhar os resultados e ajustar o plano quando necessário.
Como medir se houve resultado
Uma melhoria só fica clara quando existe comparação. Por isso, acompanhe indicadores como tempo de execução, quantidade de retrabalho, reclamações, conformidade documental, produtividade e satisfação dos envolvidos. Mesmo métricas simples ajudam a mostrar se o processo ficou mais estável e se a mudança realmente trouxe ganho para a organização.
Também vale manter uma rotina de análise crítica. Em reuniões curtas, revise o que foi feito, quais evidências foram geradas e quais obstáculos continuam aparecendo. Esse hábito cria aprendizado contínuo e evita que a qualidade seja vista apenas como exigência de auditoria.
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